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Pai de criança autista descobre que tem síndrome de Asperger
Quando o filho do quadrinista Fulvio Pacheco foi diagnosticado com o transtorno do espectro autista, a mulher dele sugeriu que ele também consultasse um médico, porque apresentava sintomas semelhantes. Após três meses de avaliação com um psiquiatra, o cordenador da Gibiteca da Prefeitura de Curitiba, de 40 anos, soube que tinha síndrome de Asperger, considerada uma forma branda de autismo.

Minha mulher é muito interessada no assunto autismo por causa do nosso filho e lê muito sobre o transtorno. Foi por causa dela que fui me consultar. Na época, ela ficou internada devido a uma depressão, mas se recuperou. Hoje é muito envolvida e bem atuante — disse o pai de Murilo, de 10 anos.

No caso do Fulvio, ele ressaltou que a síndrome não se manifesta com tanta intensinade no aspecto social como quando ocorre, por exemplo, por meio de estereotipias motoras, ou seja, movimentos repetitivos, comumente associados ao autismo, quando se sente muito nervoso.

— Eu também tenho dificuldade em lidar com muita gente. Quando eu não sabia (do diagnóstico), fui dar aula a crianças pequenas, mas era muita agitação — acrescentou.

A partir do momento que o morador de Curitiba passou a entender melhor a enfermidade, percebeu que ela precisava ser mais conhecida pela sociedade. Com isso, criou o blog Relatos Azuis a partir de uma apresentação de slides que preparou para uma palestra no lugar onde o Murilo fazia o tratamento quando era mais novo.

— E foi a partir do blog que criei a revista para entregar em eventos na cidade e palestras sobre o tema. A intenção é difundir o autismo de uma forma lúdica. Uma criança autista às vezes não entende as coisas bem por linguagem, mas entende melhor por imagens, tanto por isso que eu faço quadrinhos. Reconheço muitas das característias — explicou o quadrinista, ressaltando que a venda da publicação não visa o lucro, sendo o valor apenas uma forma de poder arcar com a produção de próximas edições, viabilizadas pela União dos Pais Pelo Autismo (Uppa) em Curitiba.

Apesar da perda cognitiva de Murilo, a criança, diagnosticada aos 3 anos, conseguiu aprender a falar, ler e escrever. Segundo seu pai, o menino já se desenvolveu bastante, principalmente no assunto de seu hiperfoco, que é observado como um excesso de concentração.

— Ele começou a falar as primeiras palavras com 5 anos. Essa parte de interagir com outros ele desenvolveu, é super popular na escola e se relaciona com colegas e professores. Ele tem dificuldade em algumas coisas, mas vai muito bem em tecnologia, que é o hiperfoco dele. Nesse tema de seu interesse, Murilo é melhor do que qualquer pessoa — ressaltou Fulvio.

Publicada no final do ano passado, a primeira edição de Relatos Azuis foi distribuída para cerca de mil tutores de crianças autistas nas escolas municipais que participaram de uma palestra sobre o tema em abril, mês de conscientização sobre o transtorno do espectro autista.

— A escola pública nesse sentido da inclusão funcionou melhor para nós do que a particular. O Murilo estava em uma escola de freiras, por exemplo, que era muito rígida e queria obrigá-lo a escrever com letra cursiva, mas ele começou a ter até mesmo aversão à escrita, porque para ele usar letra de forma é mais adequado. No total, ele já passou por três escolas particulares e em nenhuma delas foi tão bem entendido quando na escola municipal — afirmou Fulvio.

O quadrinista salientou ainda a importância de existir um setor Secretaria de Educação que trabalha com a capacitação dos tutores.

— Em relação à inclusão das crianças e à preparação dos professores, temos uma abertura maior — completou.




 

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